História do Expresso Oriente

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Cartão EXPRESSO ORIENTEUm trem ligando a Europa ocidental ao Sudeste asiático, com vagões-dormitórios e vagões-restaurantes –  esta foi a concepção de Georges Nagelmackers que, em 4 de outubro de 1883 inaugurou o EXPRESS d’ORIENT. Na época, O trem saía de Paris e chegava até a Romênia, passando por Estrasburgo, Munique,Viena, Budapeste,  Bucarest. Em 1889 foi completada a linha que levava até Istambul. Com a Primeira Guerra Mundial, que começou em julho de 1914 e terminou em novembro de 1918, foram interrompidas suas viagens. Logo após o término da guerra, ainda em 1918, ele recomeçou a funcionar, mas buscava um rota alternativa que não passasse pela Alemanha Em 1919, com a construção do Túnel Simplon, ligando a Suiça à Itália, foi inaugurado o serviço Simplon Orient Express, que logo passou a ser o trajeto preferido pelos passageiros.  Após sair de Paris, o trem passava por Lausanne, Milão, Veneza, Trieste e Zagreb, onde se juntava à rota original  em direção a Istambul.
Na década de 1930, o Expresso do Oriente atingiu seu ponto máximo, com três linhas atravessando a Europa.  A rota Paris-Constantinopla passava pela Áustria, Hungria, Eslováquia, Sérvia, Romênia, Bulgária e Turquia, com mais uma linha que seguia até Atenas. A viagem também podia começar na Inglaterra onde, em Dover, uma balsa atravessava o Canal da Mancha, levando os passageiros até Calais, na França.  orient-express_histoire-mapa-otimo
O vagão da primeira classe ostentava  o máximo do luxo, com cabines-dormitório para uma pessoa – à noite, os camareiros do trem se encarregavam de arrumar os leitos de acordo com o horário determinado pelo passageiro. Essas cabines podiam se comunicar  com a cabine ao lado,  através de uma porta que podia ser fechada do lado de dentro.  Eram usadas por casais, ou por damas e cavalheiros que viajavam com respectivos camareiras/os ou secretários. A cabine ocupada pelo serviçal, além de mantê-lo por perto, tinha ainda a vantagem de acomodar a bagagem do patrão ou da patroa. No mesmo vagão havia as cabines de segunda classe,  para serem ocupadas por duas pessoas, conhecidas ou não, desde que do mesmo sexo. No vagão-restaurante eram servidos os mais finos  pratos, a cargo de renomados chefes de cozinha.restaurante do Expresso Oriente
 Nada poderia faltar aos seus viajantes, milionários, membros da realeza, diplomatas, aristocratas, empresários que moviam imensas riquezas em diversas partes do mundo. Dia ou noite, bastava-lhes tocar a campainha para que lhes trouxessem imediatamente algo como uma garrafa de água mineral ou uma aspirina. 

Quanto aos vagões comuns… bem, quem se importa com vagões comuns? Até hoje – ou hoje mais do que nunca – notícia relevante é qualquer coisa comum que acontece com gente famosa, ou alguma coisa extraordinária que acontece com pessoas comuns. Naquela época, cadernos dominicais dos periódicos  deviam publicar  notícias tais como: a princesa Navaskoya embarcou hoje no Express d’Orient com destino a Bucarest, acompanhada apenas de sua camareira. O príncipe permanece em Paris. Perguntados pelos jornalistas, amigos do casal se recusam a fazer qualquer comentário. . Derrotada na guerra, recrudesceu na Alemanha o movimento nacionalista, com a crescente liderança de Hitler  que cria o Partido Nazista – unipartidário, totalitário, antissemitista, anticomunista, expansionista. Esses e outros fatores iriam descambar na Segunda Guerra  Mundial  (1939-1945), período em que novamente foram interrompidos os serviços do Expresso do Oriente. As hostilidades do nazismo alemão levaram à Segunda Guerra Mundial e, outra vez, interromperam-se os serviços do Express d’Orient, que só voltou a se normalizar em 1945.

Mas o declínio começava. Uma por uma, as linhas eram retiradas, até que, em maio de 1977 foi realizada a última viagem de Paris a Istambul. O Expresso do Oriente fez história, foi um dos elementos marcantes da Belle Èpoque,  cujo charme, esplendor e esnobismo foi levado para a literatura,  para a música – e para o cinema, é claro. Agatha Christie,  incansável viajante,  foi, mais de uma vez,  passageira do Expresso d’Orient. Com essas viagens, teve tempo suficiente para observar os mais variados tipos e nacionalidades de pessoas, com suas peculiaridades e extravagâncias. Juntou material suficiente para, não só descrever o funcionamento dos serviços de bordo, mas sobretudo as características pessoais com que criou os diversos personagens que fazem parte de seu livro Assassinato no Express Oriente. Escrito no auge do charme do trem, o romance foi publicado em 1933. 

Próximas postagens

Assassinato no Expresso Oriente – o filme de Sidney Lumet (1974)

Assassinato no Expresso Oriente, filme dirigido por Keneth Branaghan ( a ser lançado em novembro deste ano)

Nota: Não vou fazer spoiling, já que se trata de um filme policial. 

 

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